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Aplicativos de transporte movimentam a economia

Banner "Aplicativos de transporte movimentam a economia", na esquerda um celular sendo segurado com print do aplicativo Machine

De acordo com a pesquisa Guia Bolso, gastos com aplicativos de transporte já comprometem cerca de 10% do orçamento dos brasileiros.

O mercado de aplicativos de transporte se tornou um universo bilionário. No início do ano, a Uber começou a negociar suas ações da Bolsa de Valores e, por isso, precisou revelar números até então sigilosos.

Entre eles está a confirmação de que o Brasil é o segundo principal mercado da multinacional no mundo. No ano passado, ela faturou aproximadamente 3,7 bilhões de reais com a operação no país.

Além disso, os dados mostraram um crescimento impressionante da empresa no Brasil nos últimos dois anos. Houve um aumento de 306% em relação a 2016 e de 15% em relação a 2017.

Em nível mundial, os últimos balanços da empresa mostraram um crescimento de 30% da receita que hoje chega a 3,8 bilhões de dólares.

A brasileira 99 também segue em números impressionantes de crescimento. No início do ano passado, a empresa se tornou o primeiro “unicórnio brasileiro”, ou seja, a primeira startup nacional com valor de mercado de 1 bilhão de dólares.

O título veio após a 99 ser comprada pela chinesa Didi Chuxing. A empresa é, atualmente, a maior plataforma de transporte privado do mundo.

Como essas empresas chegaram a estes números expressivos?

Os números das empresas ultrapassam a casa dos bilhões e isso só é possível graças a motoristas parceiros e passageiros que utilizam o serviço cada dia mais.

Não é à toa que nas principais capitais brasileiras, mais da metade dos habitantes usam aplicativos de transporte no dia a dia.

“Não sabia que de 5 em 5 reais com Uber somava 500 reais no fim do mês”. Essa piada, muito comum entre os usuários de Uber, 99, Cabify, etc, é uma realidade. Muitas pessoas perdem o controle dos gastos com aplicativos ou não sabem ao certo quanto gastam com esses serviços por mês.

Em pesquisa feita com mais de 8 mil usuários, o portal Guia Bolso comparou os gastos dos brasileiros com combustível, aplicativos de transporte, bicicletas e patinetes.

Captura de tela gastos com transporte, demonstrando em gráficos combustível, apps, bikes e patinetes
Infográfico: Guia Bolso

Os gastos com combustível seguem em primeiro lugar, contudo vem decrescendo ao longo do tempo. Segundo a pesquisa, nos últimos anos houve uma queda de 31% para 29%.

Em contrapartida, os gastos com aplicativos de transporte subiram de 23,3% para 25,4%. Já o valor investido em transportes alternativos como bicicletas e patinetes cresceu de 0,1% para 0,9%.

Apps de transporte consomem até 10% do orçamento dos brasileiros

Ainda segundo a pesquisa Guia Bolso, junto com o aumento na adesão de novos usuários também cresceu o valor gasto, em média, por cada um deles.

Em maio desse ano os 72 mil cadastrados na plataforma Guia Bolso afirmaram ter gasto R$119 com os aplicativos de transporte naquele mês.

Ainda no setor de mobilidade urbana, a pesquisa também mostrou que aplicativos de entrega como Uber Eats, iFood e Rappi ocuparam o 2º lugar nas despesas dos usuários. Em média, R$85 foram destinados a esses apps – o que corresponde a 8% do orçamento dos usuários.

Principal motivo para utilização de apps de transporte é para o lazer

Ainda analisando o comportamento dos usuários que recorrem a meios não convencionais de locomoção, alunos da Faculdade de Tecnologia da Zona Leste (FATEC) desenvolveram um estudo sobre o impacto do transporte por aplicativo na mobilidade urbana de São Paulo.

Assim, a pesquisa mostrou que 38% dos usuários utilizam os apps de transporte para lazer. Muitas vezes o custo da corrida é superior as passagens de transportes públicos, logo, o estudo também mapeou que a qualidade mais atrativa desses aplicativos é o conforto oferecido (38%), seguido da economia do tempo de viagem (34%).

Outro ponto interessante analisado é a integração entre transporte público e aplicativos. 63% dos usuários afirmaram fazer uma intermodalidade, ou seja, utilizar os dois modais juntos.

Esse análise vai de encontro aos dados da pesquisa Origem e Destino, realizada pelo Metrô de São Paulo. O último levantamento apontou que grande parte dos usuários usa os apps nas “primeiras ou últimas milhas”, isto é, em viagens que começam ou terminam em estações de trem, metrô e ônibus e são completadas com os aplicativos de transporte.