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Taxista pode ser motorista Uber?

Taxista pode ser Uber?

Apesar da polêmica envolvendo taxistas e aplicativos de transporte, alguns dos profissionais do táxi decidiram migrar ou pelo menos dividir seu tempo entre as duas atividades. Mas afinal, taxista pode ser motorista Uber?

O táxi por muitas décadas foi a maneira exclusiva de se pegar um transporte individual.

Seja chamando pela central ou nos pontos espalhados pela cidade, o táxi era a maneira ideal de você chegar em um local de forma rápida e segura.

No entanto, com a chegada dos aplicativos, o taxista passou ter a forte concorrência de empresas multinacionais e até mesmo regionais, como já tratamos aqui no blog.

Por isso, por todo Brasil, diversos sindicatos de taxistas alegaram que houve uma queda na solicitação do serviço e na renda do profissional.

Por outro lado, os aplicativos foram uma importante fonte de renda para diversas famílias que encaram até hoje uma grave crise. Ainda são mais de 13 milhões de desempregados.

Segundo a Uber, 600 mil motoristas estão cadastrados no Brasil. Fazendo com que a empresa norte-americana seja a principal do ramo no país. E o Brasil um dos principais mercados consumidores do mundo, com 22 milhões de usuários.

Em meio a polêmica da legalidade dos aplicativos, era comum ver cenas de confusão entre taxistas e motoristas de app. Muitos taxistas alegavam que o transporte por app era ilegal e clandestino. Afinal, segundo eles, os motoristas de app não eram autorizados a rodar com passageiros.

Por outro, os motoristas de app alegavam que os taxistas possuíam vantagens em diversos impostos. Como é o caso do IPVA, ICMS, IOF e IPI.

A aprovação da PLC 28 foi um caminho para a estabilidade do serviço. Mas a polêmica ainda não acabou, já que as regulamentações municipais ainda estão ocorrendo.

Concorrência foi positiva para quem?

No primeiro momento, quem mais saiu ganhando com a entrada dos apps foi o usuário. Afinal, agora ele teria duas opções para pegar um transporte individual.

Além disso, os apps ofereciam preços menores, o que possibilitou muitas pessoas que não pegavam o táxi, passassem a pedir um transporte individual.

Mas não foram só os passageiros que saíram ganhando. Alguns taxistas perceberam que o serviço poderia muito bem coexistir. Sendo positivo para eles, já que agora poderiam ter uma outra forma de conseguir corridas.

É o caso do ex-taxista e atual motorista de aplicativo Gabriel Soares. Ele foi taxista auxiliar por dois anos em Niterói, tendo que pagar todo mês um permissionário.

Quando ele colocou no papel seus gastos, percebeu que valia mais a pena financiar um veículo e começar a rodar como motorista de app.

Segundo Gabriel, existe prós e contras em ambos os serviços. “Na minha opinião, a vantagem de ser taxista é a isenção no IPVA, além de ter desconto na compra de veículos, tarifas mais elevadas e diversos pontos espalhados pela cidade”.

No entanto, ele alega que o táxi virou um comércio em que os taxistas que tinham permissão, ganhavam dinheiro em cima do permissionário que alugava a concessão.

Para ele, os aplicativos ainda pecam por terem tarifas muito baixas e por expulsarem motoristas sem eles terem o direito de saber o motivo. Além de achar muito ruim o app não mostrar o destino da corrida.

No entanto, ele enxerga que os apps tiraram muita gente do desemprego, dando uma boa oportunidade para trabalhar.”Se você é um bom motorista, consegue muitas corridas e vantagens especiais”.

O também ex-taxista Cristiano dirigiu táxi durante sete anos. ”Quando os aplicativos chegaram, a diferença no preço era tanta que as corridas caíram, então eu virei motorista de app”.

Para ele, o público de táxi e aplicativo são diferentes e o serviço também. ”No táxi se paga muitas taxas, são muitas cobranças , apesar do preço condizer com os gatos. Já na Uber, por exemplo, você não tem nenhuma burocracia e muito serviço, tem que rodar mais”.

Taxistas resistem aos aplicativos

Apesar de alguns taxistas terem migrado para os aplicativos de transporte, muitos ainda são resistente aos apps.

É o caso do taxista Ronaldo dos Santos. Ele ressalta que não tem nada contra os motoristas de aplicativo, mas sim contra as empresas. ”Eles são pais de família assim como eu, que tentam levar sustento para a casa. O problemas são as empresas (…) imagina que você é jornalista, se preparou e estudou para aquilo e do nada uma outra pessoa toma o seu espaço”.

Ele conta que não vê taxistas em jornada dupla atuando também como motorista de aplicativo.”Tenho colegas que saem do táxi e vão para os aplicativos, mas eu não penso nisso, nasci e vou morrer taxista”.

Já o taxista Wagner Mônaco conta que depois dos aplicativos, as solicitações de taxi caíram 50%. Ele também nunca pensou em deixar o táxi para ir para os apps. ”Acho uma fraude. A lei diz que transporte de passageiro é exclusividade do taxista”.

Empreendedores criam serviços mistos

Buscando unir a experiência dos taxistas com a inovação dos apps de transporte, muitas empresas estão buscando unir os serviços.

A 99 iniciou como um aplicativo voltado aos taxistas e, logo depois, adicionou a categoria POP, para motoristas particulares.

Hoje, os serviços coexistem e os preços dos táxis podem atingir patamares menores do que dos apps quando eles entram em dinâmica.

A Cabify tomou o caminho inverso. Iniciou como um app voltado 100% para motoristas particulares. Após firmar parceria com a Easy Taxi, o app oferece também o serviço dos taxistas.

No Rio de Janeiro, o taxista Marco Bragança está lançado o app 21. O projeto é de um app de transporte voltado aos taxistas, que querem complementar a renda.

”A ideia surgiu após a regulamentação do transporte individual por aplicativos. Não justifica um auxiliar pagar diária, agora ele pode exercer sua profissão com um carro particular”, conta o taxista.

Segundo ele, roda de táxi há vinte anos, a expectativa é de aceitação por parte dos passageiros e transformação pelos taxistas.

Em relação a resistência, Marcos espera que apenas uma parte dos taxistas sejam contra. ”É claro que vamos ter resistência, mas apenas dos taxistas permissionários e taxistas auxiliares que estão em boa posição na fila”.

O aplicativo contará com serviços especiais como categoria feminina, além de trazer toda a experiência em mobilidade urbana dos taxistas.

O taxista pode ser Uber?

Em julho de 2020, a Uber anunciou que lançará serviço de táxis na cidade de São Paulo. Com expectativa para iniciar em agosto do mesmo ano, o Uber Taxi chegará na segunda cidade da América Latina – a primeira foi Santiago, no Chile.

Por enquanto, o serviço será exclusivo na capital paulista. Assim, se você é taxista e quer rodar pelo app, deve dirigir um carro comum, sem placa vermelha.