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Summit Mobilidade: sustentabilidade e segurança

Summit mobilidade urbana: sustentabilidade e segurança

Entramos no quarto dia de Summit Mobilidade discutindo o papel da mobilidade urbana dentro de um mundo sustentável.

Como já tem sido discutido ao longo dos últimos dias, uma das principais preocupações quando se pensa em novos planejamentos urbanos e de mobilidade, é com a sustentabilidade, principalmente através da redução da emissão de carbono.

Essa preocupação não é exclusiva de apenas um ou dois países do mundo. Ela é de caráter global, e foi demonstrada por medidas como o Acordo de Paris, que visa reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

O dia quatro do Summit Mobilidade Urbana 2021 trouxe esses debates para o âmbito da mobilidade, além de contextualizá-los para a realidade do Brasil.

Mobilidade Urbana e metas globais

Para trazer esse tema recorrente do mundo para o Brasil, a primeira mesa contou com José Sarto, prefeito de Fortaleza, capital do Ceará.

O primeiro ponto do prefeito foi apontar a importância de um planejamento que não vise somente o presente, mas que tenha como objetivo uma melhora a médio e longo prazo, destacando inclusive a atuação da gestão anterior a sua.

Segundo o prefeito, com esse estudo e planejamento, a capital cearense atingiu a meta de redução de vítimas fatais no trânsito, estabelecida pela ONU.

Entre 2014 e 2020, Fortaleza conseguiu alcançar a meta um ano antes do prazo, minimizando a incidência de ocorrências fatais em mais de 51%.

Política de trânsito é política de saúde pública.

José Sarto, prefeito de Fortaleza

Essa frase realça a importância e profundidade que uma política de planejamento em mobilidade tem para uma cidade como um todo, e não somente nas questões ligadas ao trânsito.

Fortaleza também conta com as chamadas áreas de “trânsito calmo”, vias movimentadas onde se reduz a velocidade máxima permitida em 10km/h, reduzindo o número de acidentes de trânsito.

Com isso, o transporte via bicicleta ganha mais um incentivo, já que a preocupação com a segurança muitas vezes inibe o uso desse modal. Além disso, para efeito de comparação, Fortaleza fez um investimento na construção de 78,2 km de ciclovias enquanto Paris, cidade mundialmente reconhecida por sua mobilidade, criou apenas 50 km.

Mobilidade Ativa

Dando continuidade a fala do prefeito, a segunda mesa retomou um debate que também esteve presente no segundo dia de Summit, a Mobilidade Ativa no Brasil.

A Mobilidade Ativa, suave ou não-motorizada, consiste nas formas de transporte que dependem unicamente de meios físicos do ser humano para a locomoção.

Participaram dessa mesa:

  • Ana Carolina Nunes, pesquisadora e integrante do movimento Cidadeapé;
  • Cleo Manhas, Assessora política do Instituto de Estudos Sócio-econômicos (INESC) e integrante do movimento Nossa Brasília;
  • Iêda de Oliveira, Diretora e Coordenadora do grupo de veículos pesados da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e Diretora-Executiva da Eletra;
  • Tomás Martins, CEO e Fundador da TemBici.

A mediação foi do jornalista do Estadão, Victor Vieira.

Como ponto principal da fala do prefeito, a mesa destaca que para a mobilidade urbana ativa se consolidar, faltam apenas investimentos.

Os investimentos para garantir que a cidade seja mais acessível e segura, para quem se desloca a pé e de bicicleta, são muito menores que os investimentos comumente voltados para melhorar a fluídez do trânsito para carros.

Entre consertos de calçadas, construção de ciclovias e travessias elevadas, tornar acessível para pedestres áreas de centros de bairro, o quanto não poderia se fazer com o dinheiro da construção de apenas um viaduto?

Ana Carolina

Essa relação custo-benefício deve ser pensada, principalmente agora, no momento onde as discussões políticas a respeito da retomada da economia crescem.

Outro aspecto importante favorável a diversificação dos modais de transporte é a questão ambiental.

Como alternativa sustentável aos transportes motorizados e ao mesmo tempo, de mesma capacidade de lotação, estão os veículos elétricos.

Segundo dados apresentados pela diretora da ABVE, o Brasil, terceiro país com a maior frota de ônibus do mundo, conta com menos de 100 ônibus elétricos em circulação, representando um porcentagem irrisória.

Então, além de se distanciar dos acordos de diminuição da redução de CO2, o país ainda perde uma grande oportunidade de investimento na indústria nacional, visto que existem empresas do ramo que se destacam no mercado mundial, como a brasileira WEG, maior produtora de motores elétricos do mundo.

Um único ônibus diesel operando gera 90 toneladas de CO2 por ano. Em questão de metas ambientais é muito relevante que se faça a mudança dessa frota.

Iêda de Oliveira

Segurança viária

A terceira mesa contou com:

  • Alexandre Cury, Diretor comercial da Honda Motos;
  • Davi Duarte Lima, Presidente do Instituto Brasileiro de Segurança no Trânsito e professor da Universidade de Brasília;
  • Jorge Tiago Bastos, Professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná;
  • Levi Oliveira, Secretário Municipal de mobilidade e Transportes de São Paulo;
  • Michel Braghetto, Gerente de Marketing da Bosch.

O Brasil ainda conta com um elevado número de acidentes no trânsito, sendo que pedestres compõem grande parte do número de vítimas.

Para solucionar esse problema, é necessário a análise como um todo das cidades, identificando os principais fatores que podem levar às fatalidades.

Novamente, a necessidade de planejamento, observação e administração se destaca. Isso porque antes de serem necessários investimentos milionários em grandes obras, muitas vezes medidas pontuais podem ter um grande impacto.

A criação de áreas de trânsito calmo, recapeamento de ruas e conserto de calçadas por todas as áreas das cidades, podem influenciar diretamente na melhoria dos casos de ‘sinistros’.

Além disso, um investimento na capacitação dos motoristas deve ser feito, para que os condutores sejam ainda mais conscientes e atentos às diversas situações que podem surgir no cotidiano.