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Pix: tudo o que você precisa saber sobre pagamento instantâneo

Na imagem, a logo do Pix e ao lado está escrito, pix: tudo o que você precisa saber sobre pagamento instantâneo

O Pix é o pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil e que promete realizar uma transferência em no máximo 10 segundos.

Em 19 de Fevereiro de 2020, o Banco Central do Brasil anunciou durante coletiva de imprensa em Brasília o lançamento do Pix, o pagamento instantâneo que promete revolucionar o sistema de transferências e pagamentos no país. 

Na prática, o Pix pode marcar o início do fim de alguns velhos conhecidos como TED, DOC e boleto bancário. Isso, porque além da velocidade em que a operação será realizada e sua disponibilidade – ele funcionará 24 horas por dia, nos sete dias da semana, incluindo feriados – as taxas serão bem menores.

Ah, e os principais bancos do país deverão oferecer o serviço. Afinal, o Banco Central regulamentou que todas as instituições financeiras que possuirem mais de 500 mil contas deverão disponibilizar o Pix.

Você ainda está em dúvida sobre o que exatamente é esse serviço e como ele afetará diretamente a sua vida? Então, preparamos um conteúdo completo para você entender cada passo sobre o pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil.

Antes de mais nada, o que é pagamento instantâneo?

Pagamento instantâneo são transferências em que o dinheiro cai na conta imediatamente após seu envio. 

De forma mais técnica, o Banco Central explica que são “transferências monetárias eletrônicas na qual a transmissão da ordem de pagamento e a disponibilidade de fundos para o usuário recebedor ocorre em tempo real”. 

Mas, na prática, o que temos é um modelo em que não precisamos esperar o boleto compensar ou horário de funcionamento de TED e DOC. Isso porque o dinheiro sai de uma conta diretamente para outra, sem nenhum tipo de intermediário e nas 24 horas dos 365 dias do ano.

E o que é o Pix?

O Pix é o pagamento instantâneo do Banco Central do Brasil, que promete realizar uma transferência em no máximo 10 segundos.

Anunciado em fevereiro de 2020, ele será implementado em novembro do mesmo ano. É o resultado de anos de trabalho da instituição, que há tempos se debruça sobre o tema, como veremos mais à frente.

Segundo o diretor de Organização de Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central, João Manoel Pinho de Mello, o Pix, além de facilitar as transações monetárias, chega para incluir mais pessoas no sistema financeiro e baratear os custos da operação.

Por isso, ele está intimamente ligado com a chamada Agenda BC#, uma pauta de trabalhos realizados pelo BC com o objetivo de implementar evoluções tecnológicas no mercado financeiro. 

No portal da agenda, a instituição explica que ela é realizada por meio de quatro pilares:

  • Inclusão
  • Competitividade 
  • Transparência
  • Educação

Durante a coletiva de lançamento, Pinho de Mello explicou que o Pix está diretamente ligado com os pilares da inclusão e da competitividade, justamente por algumas características do sistema.

Ecossistema do Pix
Imagem: Banco Central/reprodução

Como funciona o pagamento por Pix?

À princípio, o pagamento por Pix poderá ser feito de três formas:

  • QR Code (estático e dinâmico);
  • Chave de endereçamento;
  • Redirecionamento em sites de compra.

QR Code 

Há dois modelos de QR Code que serão usados nos pagamentos via Pix: estático e dinâmico.

O estático é o modelo em que o receptor pode reutilizar o mesmo QR Code em várias vendas.

Nesse caso, o estabelecimento imprime o QR Code e deixa colado em sua loja ou barraquinha, por exemplo. Ele pode deixar pré-programado um valor ou em aberto, para alterar de acordo com a compra. 

Por exemplo, o dono de uma barraca de churros, pode colar o QR Code em sua barraca e, ao fazer uma venda, basta o comprador realizar a leitura através do seu celular e confirmar a transferência.

O dinâmico é o modelo em que um novo QR Code é gerado a cada compra. Dessa forma, estabelecimentos com uma grande variedade de produtos, como supermercados, irão produzir um novo código a cada venda. Os passos seguintes são os mesmo, comprador pega seu celular e realiza a leitura do código. 

Diferença de QR Code Dinâmico e estático
Imagem: Banco Central/reprodução

Chave de endereçamento

A chave de endereçamento será a modalidade de pagamento via Pix em que a transação será realizada através da inserção de um dado da pessoa que recebe o dinheiro. Poderá ser o número do celular, e-mail ou CPF. Basta apenas uma dessas informações. 

Com esse dado, a plataforma irá cruzar as informações e retornar ao pagador, que terá a confirmação se é de fato a pessoa ou empresa a quem ele quer transferir.

Com isso confirmado, basta adicionar o valor, senha do banco e dar o ok na transferência. 

Tudo será feito dentro do aplicativo da instituição financeira, da mesma forma que fazemos hoje com TED e DOC.

Redirecionamento em sites de compra

As transações via Pix também poderão ser feitas via links inseridos em e-commerces, por exemplo.

Assim, da mesma forma que, ao realizar uma compra online, temos as opções de pagamentos no boleto ou cartão, teremos a opção de pagar via Pix. Ao clicar nesta opção, será aberta uma tela com as informações de pagamentos.

As principais características do Pix

Enumerar as principais características do Pix só deixa mais evidente a importância desse sistema e o porquê dele revolucionar tudo que conhecemos até agora sobre transferências.

  • Disponibilidade: funcionamento 24 horas nos 365 dias do ano;
  • Velocidade: transferências em no máximo 10 segundos;
  • Conveniência: sistema intuitivo e disponível em alguns cliques;
  • Segurança: informações protegidas pelo BC;
  • Ambiente aberto: plataforma disponível para todos e com igualdade de condições de uso;
  • Multiplicidade de casos de uso: diversas formas de uso, do pagamento do cafezinho ao imposto;
  • Informações agregadas: possibilidade de adicionar dados sobre a transferência, como o motivo da sua realização e a data a que se refere.

Em que situações os pagamentos instantâneos via Pix podem ser utilizados?

Nas mais diversas situações, entre elas:

  • Transferências rotineiras de pessoa para pessoa;
  • Pagamentos de pessoas para estabelecimento comercial;
  • De estabelecimentos para outros estabelecimentos ou fornecedores;
  • Pagamentos de taxas e impostos;
  • Pagamentos de salários e benefícios sociais.

Quais são os principais benefícios do pagamento via Pix?

O pagamento instantâneo via Pix oferece benefícios para ambos os lados. Tanto para quem transfere quanto para quem recebe o dinheiro.

Além disso, oferece benefícios para toda a sociedade brasileira, já que facilita o rastreio de atividades ilegais e diminui o uso de cédulas, que além de custosas, trazem malefícios tanto para a segurança, quanto para a saúde pública.

Entre os benefícios apontado pelo BC estão:

  • Velocidade, preço, segurança e praticidade para quem paga;
  • Possibilidade de integração com outros serviços;
  • Custo de aceitação menor para quem recebe;
  • Disponibilização imediata do dinheiro;
  • Automatização e conciliação de pagamentos;
  • Facilidade e rapidez para quem recebe, pois dispensa maquininha ou troco;
  • Eletronização dos meios de pagamentos;
  • Controle de lavagem de dinheiro e financiamento de terrorismo;
  • Redução de uso de cédulas;
  • Maior competição entre prestadores de serviços de pagamentos;
  • Facilita a entrada de novos negócios;
  • Aumenta a inclusão financeira.
Imagem: Banco Central/Reprodução

 

Quanto custa uma transação via Pix?

O Banco Central anunciou que as transações via Pix serão gratuitas para pessoas físicas.

Já as pessoas jurídicas, ou seja, as empresas, pagarão um centavo a cada dez transações realizadas.

Quais instituições vão oferecer o Pix?

Segundo a Circular nº 3.985 do Banco Central, que estabeleceu os critérios e modalidades de participação no Pix, todas as instituições financeiras de pagamento com mais de 500 mil contas de clientes ativos, deverão oferecer o pagamento via Pix.

Essas contas podem ser:

  • Contas de depósito à vista;
  • Depósito de poupança;
  • Contas de pagamento pré-pagas.

No entanto, toda instituição financeira ou de pagamento que desejar participar da plataforma, poderá assim fazer voluntariamente. Incluindo aquelas que ainda não atingiram o limite para requerer autorização de funcionamento.

Como as instituições financeiras irão aderir ao Pix?

O processo de adesão ao Pix será feito através do Banco Central, regulamentando pelas circulares da instituição de números 4006/2020, 4022/2020, 4.055/2020 e 4.056/2020.

Há duas etapas nesse processo:

  • Cadastral: preenchimento do formulário (aqui) e envio de informações cadastrais da instituição para o e-mail pix@bcb.gov.br. Para as instituições ainda não reguladas pelo BC, será necessário também envio de declaração, que ateste capacidade técnica, operacional e capital mínimo, além de contrato firmado, devendo ser enviado através do Protocolo Digital
  • Homologatória: fase do cumprimento dos planos de teste e avaliação de aderência aos requisitos mínimos. Teve início em 1º de junho de 2020.

Para saber se a sua instituição financeira está em processo de adesão ao Pix, clique aqui.

O Pix será um aplicativo?

Não, o Pix será a plataforma do Banco Central que permitirá os pagamentos instantâneos. 

O contato das pessoas com ele será feito através dos aplicativos das instituições financeiras.

Assim, da mesma forma que ao abrir o app do nosso banco, conseguimos selecionar a opção de fazer um TED, conseguiremos fazer um Pix.

Como surgiu o Pix?

O Pix surgiu devido a crescente demanda por um sistema de pagamento instantâneo. Assim, desde 2013, com a publicação do Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro 2013, o BC incentiva o desenvolvimento desse tipo de operação.

No entanto, foi em 2018 que a instituição decidiu tomar a frente do processo, com a instauração de um grupo de trabalho destinado à implementação dessa tecnologia.

Assim, esse grupo, denominado GT Pagamentos Instantâneo, reuniu especialistas tanto da instituição quanto do mercado, e no dia 21 de dezembro de 2018 chegaram a um documento com os requisitos fundamentais para o ecossistema de pagamentos instantâneos brasileiro.

A criação da marca Pix

A marca Pix foi baseada em três subconceitos: 

  • Tecnologia;
  • Transação;
  • Pixel.

Para o BC, as barreiras da tecnologia são empurradas todos os dias e inevitavelmente vão romper as fronteiras do sistema financeiro. Dessa forma, eles capturaram essa ideia e traduziram na imagem de um chip. 

“Hoje a tecnologia permite a comunicação p2p (pessoa para pessoa) de maneira instantânea em apps tipo WhatsApp. Do ponto de vista tecnológico, não há nenhum motivo para não fazermos a comunicação bolso para bolso”.

Assim, para simbolizar esse tipo de transação, eles representaram por meio de um circuito de chip, que vão em caminhos opostos, encontram-se na metade e depois retornam ao rumo original.

Por fim, o conceito do Pixel, menor unidade da imagem, buscou representar a solidez do sistema.

Sobrepondo as imagens das setas, representando as transações, e o losango, representando o Pixel, chegou-se à identidade visual do Pix.

Em relação ao nome, o objetivo foi encontrar algo sonoro e fácil de usar, permitindo que se torne algo facilmente difundido na população.