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Oportunidades de negócio no mercado da mobilidade urbana

Foto de lâmpadas espalhadas, mas só uma ligada

Você já pensou em empreender na mobilidade urbana? Com a democratização da tecnologia, cada vez mais novas oportunidades de negócio estão surgindo na área.

A mobilidade urbana é a condição em que se realizam os deslocamentos de pessoas e cargas no espaço urbano.

Quem fala isso não sou eu, mas o artigo 4º da Lei nº 12.587, que define a política nacional para o setor no Brasil.

Levar algo ou alguém de um ponto a outro da cidade não é uma simples tarefa. Estamos falando de sonhos, objetivos e talvez do bem mais precioso de uma pessoa: sua vida e sua família.

É por isso que a cada ano que passa, o mercado da mobilidade urbana vai avançando, modernizando e criando novas condições para quem deseja empreender no setor.

Nos últimos anos, com as seguintes crises econômicas no Brasil e no mundo, a mão de obra de motoristas particulares e entregadores cresceu exponencialmente. Só a Uber, revela ter no Brasil mais de 1 milhão de profissionais cadastrados.

Porém, apesar dos avanços que as plataformas de mobilidade urbana trouxeram, ainda há muita coisa a ser feita, como criar melhores condições de trabalho para os profissionais, garantir mais segurança para os clientes e alinhar tudo isso com a pauta ambiental e social, cada vez mais em voga no mundo.

Separamos abaixo, algumas oportunidades de negócio no mercado da mobilidade urbana.

Aplicativo de transporte regional

Mão segurando um celular aberto em um aplicativo de transporte,. Ao fundo vemos a paisagem de uma cidade.

O Brasil é um país gigante e com um mercado de transporte de passageiros maior ainda.

Somos o 2º país que mais solicita viagens pela Uber e foi desse mercado que saiu a primeira startup do Brasil avaliada em 1 bilhão de dólares.

Apesar dos números potentes das multinacionais, os aplicativos de transporte regionais estão cada vez mais ganhando seu espaço no mercado.

Um exemplo é a Ubiz Car, aplicativo que nasceu em Parnaíba, no interior do Piauí e virou referência em transporte por app nas pequenas cidades. O Canal Tech apelidou a empresa de “Uber das cidadezinhas“.

Em entrevista para o site do Pequenas Empresas, Grandes Negócios, Alécio Cavalcante, fundador da Ubiz Car, revelou que a empresa faturou R$ 800 mil em 2020 e projeta faturar R$ 1,8 milhões em 2021.

O segredo de um aplicativo regional é justamente estar próximo dos passageiros e motoristas, podendo escutar mais facilmente suas demandas e necessidades imediatas.

Esse é um mercado que ganhará ainda mais força nos próximos anos.

Empresas de motoboy

foto do entregador na porta entregando uma encomenda para um homem

Muita gente acredita que os aplicativos de delivery como iFood e Uber Eats varreram as empresas de motoboy.

Mas muito pelo contrário!

Essas grandes plataformas de entrega popularizaram o delivery, criando uma oportunidade de negócios que vamos te explicar.

Segundo o iFood, apenas 30% dos pedidos na plataforma são entregues por motoboys cadastrados diretamente no aplicativo.

Todos os outros 70%, algo em torno de 42 milhões de pedidos mensais, são entregues pelos próprios restaurantes, via motoboy próprio ou via empresas de motoboy.

Isso acontece porque, atualmente, o iFood possui 2 planos.

No Plano Básico, os restaurantes usam a plataforma do iFood apenas como marketplace, realizando a própria entrega. Neste plano, os restaurantes pagam uma taxa de 12% nas vendas realizadas dentro do app e uma mensalidade de R$ 100, caso faturem mais de R$ 1.800.

No Plano Entregas, em que o transporte do pedido é realizado pelos motoboys do iFood, a taxa vai para 23%.

Por isso, para fugir das altas taxas, os estabelecimentos preferem contratar uma empresa de motoboys.

Transporte para mulheres

Para uma mulher, o transporte por aplicativo ainda pode causar muita insegurança, devido aos casos de assédio e violência.

Por isso, algumas empreendedoras apostaram na criação de serviços de transporte 100% para mulheres, ou seja, conectando motoristas mulheres com passageiras.

No Brasil, o caso mais emblemático é o da Lady Driver, um aplicativo de transporte que começou atuando em bairros de São Paulo e Rio de Janeiro e, atualmente, já está presente em 47 cidades do Brasil e em Maryland, nos Estados Unidos.

A empresa apostou em um modelo de franquia que, segundo seu site, pode dar um faturamento de até R$ 1,2 milhão por ano.

Na cidade de São Paulo, a empresa conta com 1,5 milhão de donwloads, 5 milhões de chamados e 60 mil motoristas cadastradas.

O transporte voltado para o público feminino é uma excelente oportunidade de negócio.

Ecodelivery

Ecodelivery é uma modalidade de entregas sustentável e que visa reduzir os impactos ambientais.

Segundo estudo do CDP (Disclosure Insight Action), um sistema de divulgação global que alerta empresas, cidades e estados sobre seus impactos ambientais, as empresas que adotam medidas sustentáveis em suas estratégias estão superando financeiramente aquelas que não o fazem.

O levantamento diz que essas empresas conseguem um retorno sobre o investimento (ROI) 18% maior do que as empresas que não implementam práticas sustentáveis.

Nacionalmente falando, de acordo com pesquisa do Union + Webster, 87% dos brasileiros preferem comprar de empresas engajadas na causa ambiental. Assim, investir em ecodelivery é uma forma de se conectar com esses consumidores, fortalecendo a identidade da marca.

Além disso, o ecodelivery reduz o consumo de combustível e seus custos operacionais. Ao utilizar veículos elétricos ou híbridos, as empresas diminuem não apenas as emissões de carbono, mas também os gastos.

Reduzindo custos de operação, o valor do produto fica mais barato, beneficiando, também, o consumidor final.

No mais, o ecodelivery otimiza o tempo (tornando o trabalho mais eficiente!) uma vez que gasta-se menos tempo no trânsito. Algumas cidades, por exemplo, tem faixas exclusivas para bicicletas, facilitando ainda mais o trajeto. 

No Brasil, algumas empresas já atuam no ramo, como é o caso da Courri, Ecobike Courier e Pedala.

Tanto a Courri quanto a Pedala foram adquiridas no final de 2019 pela Ame, empresa do grupo B2W/Lojas Americanas.

Transporte de Animais de Estimação

Se tem um mercado que resiste a qualquer crise é o o mercado PET.

Segundo dados da Euromonitor e do Instituto Pet Brasil, republicados pelo Sebrae, o mercado PET fatura mais de R$ 130 bilhões por ano no mundo, R$ 35 bilhões só no Brasil, o que nos transforma no segundo maior mercado do mundo.

Atualmente, são mais de 140 milhões de animais de estimação vivendo nas casas dos brasileiros.

E o setor abre oportunidades em diversas área, inclusive na mobilidade urbana.

Afinal de contas, os donos dos PETs querem levá-los para todos os lugares, mas nem sempre é fácil encontrar um veículo disposto a transportá-los.

Nos EUA, a Uber ainda possui a categoria Uber Pet, que são motoristas que informam na hora do cadastro, que aceitam realizar o transporte de animais de estimação.

No Brasil, a empresa retirou essa categoria, o que abriu uma excelente oportunidade de negócio.

Por aqui, duas empresas se destacam no transporte de animais de estimação, a PetDriver e a Táxi Dog.

Transporte para idosos e pessoas com dificuldade de locomoção

O público de idosas e pessoas com dificuldade de locomoção pode exigir um cuidado todo especial.

É necessário ter uma atenção maior, preparo e, em alguns casos, veículos adaptados.

Por isso, um serviço de transporte convencional, em que o motorista está na pressa para fazer mais e mais corridas, nem sempre é suficiente.

Assim, surgem no mercado algumas soluções. A mais famosa é a Euvô, um aplicativo fundado na cidade de São Carlos, interior de São Paulo, mas já com atuação na capital, que busca atender esse público.

Outra empresa que atua no ramo é a Include Mais, de Niterói, região metropolitana do Rio de Janeiro.

Em algumas cidades dos Estado Unidos, a Uber disponibiliza a categoria Uber Wav com carros adaptados para pessoas com dificuldade de locomoção.

Táxi e mototáxi

Uma mão segura um celular aberto em um aplicativo de táxi.

O táxi e o mototáxi continuam gerando excelentes oportunidades no mercado da mobilidade urbana.

Nos Estados Unidos, com a escassez de motoristas de aplicativo nos últimos meses, o serviço de táxi chegou a crescer mais de 800% em Nova Iorque.

Na plataforma da Machine, tivemos um crescimento de 60% em viagens de táxi entre Março a Julho de 2021

Já o mototáxi, continua forte em muitas regiões do país, chegando em locais em que até o transporte público não atua.

Transporte corporativo

O transporte corporativo é um dos mercados mais interessantes na mobilidade urbana.

Afinal de contas, o transporte de colaboradores e clientes pode ser um desafio ou um diferencial para muitas empresas.

Os grandes aplicativos de transporte, com a Uber e a 99, apostam muito nesse ramo.

A Uber, por exemplo, trabalha oferecendo algumas soluções de transporte corporativo, como viagens a trabalho, deslocamento diário, viagens de cortesia e transporte para eventos.

E nunca devemos esquecer do bom e velho transfer de aeroporto. Segundo o balanço do 2º Trimestre de 2021 da Uber, 10% de todo dinheiro movimentado na plataforma veio das corridas em aeroportos.

Aluguel de veículos

Por fim, o aluguel de veículos segue sendo um importante mercado para a mobilidade urbana.

Vale destacar que com a explosão dos aplicativos de transporte, serviços de aluguel de veículos para motoristas de app começaram a ganhar destaque, como é o caso da Kovi.

A startup brasileira recebeu em Agosto de 2021, um aporte de R$ 500 milhões para aumentar o número de veículos disponíveis e o quadro de funcionários.

A empresa trabalha com um modelo de assinaturas, em que o motorista escolhe um dos planos disponíveis e paga semanalmente para ter acesso aos veículos da Kovi.

Segundo dados publicados pela Voce S/A, o mercado de aluguel de veículos faturou em 2019, R$ 21,8 bilhões no Brasil, com uma frota de 997 mil veículos e 49,6 milhões de usuários.

Com a crise causada pela Pandemia da Covid-19, o mercado sofre um baque e chegou a cair 90%, segundo a Associação Brasileira de Locadoras de Automóveis.

Porém, já no final de 2020, o setor apresentava forte recuperação. A Unidas, por exemplo, viu seu lucro subir de R$ 4 milhões no 3º Trimestre de 2020 para R$ 124,2 milhões no último trimestre do ano, algo que se repetiu nas demais gigantes do setor.

Além do aluguel de carros, outros setores de aluguel de veículos podem ser uma oportunidade de negócio para quem deseja empreender, como aluguel de bicicletas, patinetes elétricos e outros tipos de veículos usados tanto para lazer quanto para trabalho.