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Andar no corredor urbano pode ser mais seguro, diz estudo

Motoboy pode andar no corredor urbano?

Todos os anos mais de 1,35 milhão de pessoas são vítimas fatais de acidentes de trânsito. 28% dessas mortes envolvem motos. Diante do perigo causado pelo desrespeito às regras de trânsito, surge o debate: motoboy pode andar no corredor urbano?

Os “corredores” são os espaços entre os carros. Apesar de ser uma cena bem comum, algumas pessoas a consideram perigosa.

As motos são as preferidas por empresas de delivery por serem uma opção de transporte mais rápida e barata. Ocupam menos lugares nas vias e podem transitar em locais onde carros e caminhões não são permitidos.

O que diz a legislação?

O trânsito brasileiro é regido pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). Em 1997, o artigo 56 do CTB proibia a passagem de motos pelos corredores. Contudo, esse artigo foi vetado.

Em 2017, a Comissão de Transportes não só manteve o veto, mas aprovou a circulação nos corredores. Essa liberação acontece mediante três regras:

  1. o fluxo de veículos deve estar parado ou muito lento; 
  2. a passagem deve ser feita em velocidade reduzida e compatível com a segurança de pedestres, ciclistas e demais veículos; 
  3. quando houver mais de duas faixas na pista, a passagem da moto só poderá acontecer entre as duas faixas mais à esquerda – a não ser que uma seja exclusiva de ônibus.

Entretanto, a passagem entre a calçada e os veículos da faixa ao lado segue proibida. O motociclista que desrespeitar essas exigências estará cometendo infração grave e estará sujeito à multa de R$195,23 e cinco pontos na carteira.

Com isso, o motoboy pode andar no corredor urbano. Mas é válido ressaltar que a prática só é legal nas cidades. Em rodovias, as regras são as mesmas para motoristas e motociclistas.

Desrespeitar essa regra nas rodovias também gera multa ao condutor. Isso porque a atitude se configura como “ultrapassagem pela direita”. Caso seja autuado, o motociclista estará cometendo infração média e poderá receber quatro pontos. Além de estar sujeito à multa de R$130,16.

Para o mototaxista Vanderson Dias, poder circular no corredor urbano facilita o dia a dia. “O passageiro escolhe o mototáxi ou pede comida entregue por motoboy porque vai ser mais rápido. Se não passar pelo corredor, vamos levar praticamente o mesmo tempo de um carro.”

Andar no corredor é realmente perigoso?

Muito se questiona sobre os perigos do trânsito nos corredores urbanos. Mas circular por eles é realmente perigoso? Números dizem que não.

A Universidade Berkely, nos Estados Unidos, realizou um levantamento em 2015 onde desmistifica os perigos do corredor urbano. Segundo a pesquisa, passar entre os carros pode, na verdade, ser mais seguro para os motociclistas.

Os dados da pesquisa foram coletados de junho de 2012 a agosto de 2013. Nesse período ocorreram 6 mil acidentes envolvendo motos. Desses, apenas 16,6% estavam entre duas filas de carros.

Porém, o levantamento atrela à segurança aos limites de velocidade e boa conduta no trânsito. O que na maioria das vezes não ocorre.

De acordo com a pesquisa brasileira “Mortos e feridos sobre duas rodas“, a prática do corredor, o avanço do sinal vermelho, a conversão proibida e a contramão são as causas principais (74%) das mortes de motociclistas

Vanderson reconhece que a prática se torna perigosa quando as leis não são respeitadas. “Acaba sendo mais perigoso sim. Mas em boa parte porque as pessoas no trânsito são irresponsáveis. Só pensam nelas e acabam desrespeitando as regras”, analisa.

É permitido buzinar no corredor?

Ao passar nos corredores, os motoboys costumam buzinar para mostrar que estão ali. Assim, os motoristas percebem que eles estão lá e tomam mais cuidados.

Contudo, essa prática é proibida. Dois artigos do Código de Trânsito Brasileiro falam sobre o assunto. O artigo 41 diz que:

O condutor de veículo só poderá fazer uso de buzina, desde que em toque breve, nas seguintes situações:

I – para fazer as advertências necessárias a fim de evitar acidentes;

II – fora das áreas urbanas, quando for conveniente advertir a um condutor que se tem o propósito de ultrapassá-lo.

Já o artigo 227, alerta que usar buzina nas seguintes situações é infração leve e o motociclista estará sujeito à multa de R$53,20 e três pontos na carteira:

        I – em situação que não a de simples toque breve como advertência ao pedestre ou a condutores de outros veículos;

        II – prolongada e sucessivamente a qualquer pretexto;

        III – entre as vinte e duas e as seis horas;

        IV – em locais e horários proibidos pela sinalização;

       V – em desacordo com os padrões e freqüências estabelecidas pelo CONTRAN

Apesar do uso da buzina seja em prol da segurança, a atitude pode causar o contrário. O uso excessivo da buzina pode desconcentrar o motorista e, aí sim, causar algum acidente.

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