Início » Eu Vô: principal app de transporte para idosos do Brasil

Eu Vô: principal app de transporte para idosos do Brasil

Ilustração de um grupo de idosos, ao lado está escrito: "Eu Vô: principal aplicativo de transporte para idosos do Brasil

A Eu Vô foi fundada por dois irmãos do interior de São Paulo e oferece transporte seguro e humanizado para idosos.

Segundo dados de 2018 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população de pessoas com mais de 65 anos passará de 9,2% para 25,5% anos até 2060.

Isso significa que 1 a cada 4 brasileiros terá mais de 65 anos.

Com essa nova pirâmide etária, a sociedade precisará repensar e transformar ainda mais alguns modelos.

Os aplicativos de transporte não poderão ficar de fora disso.

Tomando a frente dessa missão, os irmãos Victória e Gabriel Barboza fundaram o aplicativo Eu Vô, que realiza transporte focado em pessoas idosas ou com mobilidade reduzida.

A ideia surgiu quando a mãe passou a enfrentar uma doença que afetava sua mobilidade.

Nessa época, Victória estava morando na capital paulista, onde havia se formado em Relações Internacionais.

No entanto, uma oportunidade de participar de um processo seletivo, fez a internacionalista retornar para sua cidade natal.

Por lá, abriu uma consultoria especializada em comércio exterior e começou a trabalhar de casa.

Vivendo junto com sua mãe, Victória pôde perceber ainda mais os desafios de uma pessoa com mobilidade reduzida.

“Minha mãe está ótima, super ativa. Ela só está com problemas de locomoção, mas isso acaba dificultando que saia de casa, esteja com quem ela gosta ou faça as atividades dela (…) um táxi ou Uber não estão preparados para prestar esse auxílio”.

“Sempre quis fazer algo que pudesse ajudar pessoas com o mesmo problema”

Em janeiro de 2017, Victória leu sobre o envelhecimento da população brasileira. Foi o clique que precisava.

Naquele momento, além do trabalho na consultoria, ela auxiliava sua mãe nas atividades do dia a dia.

Juntou-se ao seu irmão Gabriel, designer de produtos, e os dois começaram a mergulhar na questão.

Viram que não estavam sós e que muitas outras famílias passavam pelo mesmo problema. “Um dado interessante que descobrimos é que a falta de transporte adequado é uma das principais causas de faltas em consultas médicas”.

A Eu Vô começou apenas com os dois irmãos em seus próprios veículos. Ofereciam nas redes sociais um serviço de carona e acompanhamento.

Em seis meses de atuação, perceberam que o negócio tinha tudo para vingar.

Já não davam conta da demanda.

Era a hora de expandir.

Como escalar sem perder a qualidade?

Em dezembro de 2017, Victória e Gabriel conheceram a Ativen.

Ela é uma aceleradora de negócios que na época focava em projetos voltados à terceira idade.

“Lá encontramos uma equipe fantástica, com pessoas de muito peso na área, como Sérgio Duque Estrada [CEO da Ativen] e Egídio Dorea [Professor da USP]. Juntos, começamos a elaborar o treinamento para motoristas parceiros da Eu Vô”.

A primeira triagem é a escolha do veículo. Afinal, nem todos os carros são aceitos no aplicativo. Leva-se em conta espaço e tamanho do porta-malas, para alocação de cadeira de rodas e andador.

É possível consultar os veículos permitidos em euvo.com.br/motoristas.

No momento da inscrição, o motorista deve ter em mãos comprovante de residência, CRLV (documento do veículo), CNH com EAR e foto de perfil.

No caso dos motoristas da capital paulista, é necessário ter CONDUAPP, CSVAPP e seguro APP.

Em seguida, é feita uma análise da documentação do candidato.

Os motoristas ainda passam por uma entrevista com uma psicóloga para aí sim, se aprovados, irem para o treinamento final.

Lá, os motoristas recebem instruções de médicos especialistas e ainda aprendem técnicas de rapport, um método para criação de empatia com o outro.

Como funciona o Eu Vô?

Atualmente, o aplicativo está disponível para celulares Android e iOS.

São oferecidas duas modalidades de serviço:

  • Leva: transporte porta a porta do passageiro.
  • Acompanha: motorista transporta e acompanha o passageiro em suas atividades.

No momento do agendamento da corrida, que pode ser feito pelo app ou pelo site, o passageiro informa ao motorista quais são suas restrições médicas.

O pagamento pode ser feito em cartão no app ou através de saldo inserido previamente.

A chegada da tecnologia

Em Abril de 2018, a Eu Vô foi mapeada pela Aging 2.0, uma organização fomentada pelo Google, voltada para negócios da longevidade.

Naquela época, mesmo sem ter um aplicativo, a Eu Vô foi uma das três campeãs do prêmio.

“Aquilo foi o maior motivador para investirmos em tecnologia. Vimos que estávamos no caminho certo e era a hora de escalar. Então, em novembro de 2018, lançamos nosso aplicativo.”

Em Maio de 2019, a empresa recebeu um investimento para expandir o serviço para a capital paulista.

Com o dinheiro arrecadado, conseguiram aumentar também a equipe, que hoje conta com especialistas em tecnologia e uma gerontóloga, que trabalha no atendimento aos clientes.

A operação e a importância dos motoristas

Atualmente, a Eu Vô conta com 110 motoristas cadastrados e 4,5 mil interessados em todo o Brasil.

Segundo Victória, o grande interesse dos motoristas em migrar para a plataforma é a empatia pelo público atendido. “Muitos dos nossos motoristas já lidam ou lidaram com idosos, então, eles sabem da importância de contar com alguém que tenha preocupação com o familiar”.

A CEO da Eu Vô explica que a empresa não é só um serviço de transporte, afinal, o motorista também ganha com o carro parado ao acompanhar o passageiro. “Temos uma central de atendimento que atende tanto os passageiros quanto os motoristas, pois queremos que eles se sintam parte do negócio.”

Os desafios durante a pandemia

Como muitos negócios no Brasil, a Eu Vô sentiu fortemente o impacto da pandemia do coronavírus.

Principalmente pelas características do público que atende.

“Em fevereiro desse ano, estávamos ganhando uma escala em São Paulo e São Carlos. Com a pandemia, precisamos mudar tudo. Nossa operação caiu 90%. Foram meses quase zerados e nós não incentivamos o uso, explicamos que as pessoas só deviam sair em caso de emergência.”

Mesmo assim, a Eu Vô continuou sendo fundamental no transporte de pessoas em tratamentos médicos delicados, como quimioterapia e hemodiálise.

Em setembro, o serviço começou a retomar e a equipe agora prepara novidades para acelerar o crescimento.

Uma delas, é um modelo voltado para empresas que desejam oferecer esse tipo de serviço aos seus funcionários.