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Entrevista com motorista: Ian Rocha, o motorista 6 estrelas

Homem com fone no pescoço, sentado dentro do carro

O mineiro Ian Rocha é motorista e responsável pelo canal “motorista 6 estrelas” em que dá dicas de como melhorar o desempenho na profissão.

O sotaque não esconde a origem desse mineiro de Belo Horizonte. Motorista Uber há três anos, Ian Rocha é formado em engenharia civil pela Universidade Federal de Minas Gerais.

Ao ficar desempregado, Ian decidiu abrir uma empresa de projetos com outros dois colegas. No entanto, a empresa parou de dar retorno e os projetos, que mantinham a empresa por meses, deixaram de ser tão lucrativos.

Assim, ele percebeu que precisava de um ganho extra. “Foi quando eu comecei a analisar a questão da Uber. Tinha acabado de sair a UberBlack aqui em BH e iniciado a UberX. Então, decidi comprar um carro e me arriscar nos apps”.

Em 2017, um dos sócios do Ian foi trabalhar em São Paulo, tendo que sair da empresa. Então, ele entrou de cabeça no mercado de apps de transporte.

Ian Rocha: o motorista 6 estrelas

Além de motorista e engenheiro, Ian é responsável por um dos principais canais para motoristas de app do Brasil.

A ideia de criar o canal veio das suas próprias dificuldades, tanto da timidez quanto de exercer o trabalho em si. Além disso, ele percebia que o mercado de motorista de app estava e ainda está em ascensão. “Tanto a quantidade de motoristas quanto a demanda cresceu. Todo dia tem gente nova, passando todas as dificuldades que eu passei. Então, como já tinha uma experiência, decidi criar o canal”.

Hoje, o motorista 6 estrelas tem mais de nove mil inscritos e quase 450 mil visualizações. Ele conta que o retorno foi imediato. Já em seu primeiro vídeo foram mil vizualizações, o que é surpreendente para quem tinham nenhum inscrito. “Eu vi que o pessoal era carente de conteúdo, então comecei a criar baseado no que as motoristas falavam.”

Ian conta que buscou estudar sobre como fazer conteúdo para Youtube. Assim, seu objetivo era produzir material de qualidade, e não simplesmente produzir qualquer coisa. “Se você olhar meu canal, eu devo ter uns 40 vídeos, enquanto outros sobre o mesmo assunto tem 170”.

“Não conhecia muito bem a cidade e acabei sendo assaltado”

Segundo ele, foram dois seus maiores desafios. O primeiro, uma dificuldade pessoal de lidar com os passageiros. Já que em sua antiga profissão, o atendimento ao cliente não era algo comum. “Como motorista, você vai encontrar no seu carro pessoas totalmente diferentes (…) tinha dificuldade em falar, se falar ou que música colocar”.

Além disso, Ian ressalta a dificuldade com a segurança. “Eu não conhecia tão bem a cidade quando comecei e entrava em lugares que não sabia que eram perigosos (…) quando eu mandava minha localização para o grupo, eles me mandavam sair de lá, mas um dia acabei sendo assaltado”.

Ian diz gostar da vida como motorista Uber. Isso porque consegue definir a hora que vai trabalhar, tendo flexibilidade para, por exemplo, montar um negócio.

No entanto, ele enxerga que os motoristas são largados pelos grandes apps. “Tanto a Uber quanto a 99 não valorizam o motorista como eles valorizam os passageiros (…) eles esquecem que somos nós que geramos renda para eles”.

Ser dono de um aplicativo é uma ideia sensacional

Assim, Ian aponta esse movimento de motoristas decidindo ter o próprio app como algo muito positivo. Para ele, há uma necessidade de atender pessoas que encontram dificuldades nos grandes apps.

Ele entende que muitas pessoas ainda não se sentem seguras de pegar um transporte por app.”Os homossexuais e as mulheres, por exemplo, são um grupo de pessoas que se sentem inseguros nos grandes apps. Eu acho que é uma excelente ideia criar um app para atender essas pessoas com mais respeito e segurança”.

Além disso, ele acredita que a experiência dos motoristas é algo que pode impulsionar o app. “Eu como motorista sei as dificuldades, as facilidades e o que a gente precisa. Além de lidarmos diretamente com o cliente”.

Visando uma melhoria na vida dos motoristas, Ian entende que um aplicativo deve se voltar a melhorar dois pontos na vida do motorista. A questão financeira e a segurança.

Segundo ele, há anos que não há reajustes nos ganhos no motoristas. “Estamos tendo que trabalhar mais para ganhar menos. Afinal, a inflação vai comendo nossos ganhos e não há melhoria na tarifa. Por isso, um app deve melhorar a vida financeira dos seus motoristas. Além de se preocupar com nossa segurança”.

Em relação à segurança, Ian aponta que muitas coisas podem ser feitas. Para ele, o app poderia avisar as áreas de riscos e ser mais rigoroso para cadastrar os passageiros. “Além disso, acho que o motorista deveria poder cancelar a corrida sem ser punido quando ele não se sente seguro”.