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Motoristas de NY pretendem concorrer com Uber e Lyft

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Cerca de 2500 motoristas em Nova Iorque já se cadastraram na cooperativa que pretende bater de frente com os grandes nomes do mercado da mobilidade urbana.

Motoristas insatisfeitos se juntam e criam seu próprio aplicativo.

Se você já acompanha a Machine há algum tempo, sabe que essa é a história de muitos dos nossos clientes. 

Mas o fato que vamos narrar aqui está acontecendo em um lugar um pouco mais distante.

No final do último mês de Maio, a jornalista do New York Times, Kate Conger, publicou uma matéria sobre uma cooperativa de motoristas que está se juntando para competir com a Uber e com a Lyft em Nova Iorque.

A Cooperativa dos Motoristas pretende criar melhores condições para os profissionais da cidade, oferecendo, é claro, ganhos maiores.

Segundo a reportagem, o grupo pretende pagar 10% a mais do que é pago aos taxistas e até aos motoristas de Limusine da cidade. 

Uber enfrenta escassez de motoristas no país

E para apimentar essa competição, todo esse movimento acontece durante uma crise de escassez de motoristas nos Estados Unidos. 

Segundo relatório da própria empresa, no primeiro trimestre do ano, a Uber contou com 3,5 milhões de motoristas e entregadores ativos. Isso representou apenas 22% do que no mesmo período do ano anterior.

E para conter essa queda de motoristas, a Uber apostou em bônus e aumentos de tarifas. A empresa revelou que um motorista em Nova Iorque ganhou em média US$ 37,44 por hora no mês de março.

Porém, a expectativa é que assim que a crise causada pela pandemia acabe e os motoristas retornem, os ganhos voltem a cair.

Fundadores da cooperativa dos motoristas se uniram por motivos diferentes

Cooperativa dos motoristas de Nova Iorque
Fonte: The Drivers Cooperative/Instagram

A cooperativa foi fundada por um trio, no mínimo, curioso. Um motorista particular, um líder sindical e nada mais e nada menos que uma ex-alta funcionária da Uber.

Alissa Orlando foi chefe de operações da empresa no Leste da África. Ela conta que decidiu deixar a Uber depois de presenciar protestos de motoristas contra as reduções salariais. 

Passou então a pesquisar sobre cooperativas durante a pandemia e acabou se juntando ao motorista Ken Lewis e ao sindicalista Erik Forman para montar a cooperativa dos motoristas de Nova Iorque.

Nesse tipo de modelo, cada um dos membros é dono do negócio e recebem dividendos sobre os lucros obtidos pela empresa.

Ou seja, além dos ganhos que os motoristas tiverem nas viagens, o lucro da cooperativa terá parte redistribuída para seus cooperados.

2500 motoristas já fazem parte da iniciativa, que além de lutar por melhores ganhos para os motoristas, pretende abordar outras questões como as tarifas predatórias de empréstimos veiculares e as desativações inesperadas.

Para isso, eles contam com uma parceria com a União de Crédito Federal Popular da Zona Leste, uma espécie de cooperativa de crédito nos Estados Unidos. O objetivo é refinanciar as dívidas de motoristas que compraram veículos para dirigir pelos apps.

Os fundadores da cooperativa contam que a tecnologia utilizada pelo grupo foi doada por voluntários.

O aplicativo da cooperativa, o COOP, começou a funcionar no início de junho.

Tabela de preço do aplicativo da cooperativa dos motoristas de Nova Iorque
O aplicativo da cooperativa está funcionando desde o início de junho. Foto: The Drivers Cooperative/Play Store

Ainda é cedo para falar se a iniciativa terá sucesso, mas é interessante reparar o movimento, que já observamos há algum tempo, tomando outros lugares do planeta.

Na Machine, reparamos que a união entre motoristas, empresários locais e a população é uma das principais chaves de sucesso para esse tipo de modelo. 

E você? O que acha da iniciativa? Conhece alguma parecida na sua cidade?

Leia o artigo completo do New York Times (em inglês).