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O que a cidade de Austin pode ensinar sobre os apps locais?

Mulher dirigindo em uma estrada com um celular pendurado perto do volante

Cidade já ficou orfã da Uber e viveu uma explosão de apps locais.

Com população estimada em 950 mil habitantes, a cidade de Austin é a capital do estado norte-americano do Texas.

Em 2016, assim como em muitas cidades no Brasil, Austin viveu uma polêmica relacionada à regulamentação dos apps de transporte.

Até aquele momento, uma decisão jurídica obrigava as empresas a terem o registro das digitais dos motoristas.

Porém, o governo local colocou em votação popular um projeto conhecido como proposição número 1, que derrubava essa decisão.

Tanto Uber quanto sua principal concorrente no país, Lyft, investiram pesado em publicidade a favor do projeto. Segundo a página Consumidor Moderno, foram 8,6 milhões de dólares investidos para convencer a população de Austin a votar.

No entanto, a cidade, ao contrário do que pediam as duas multinacionais, recusou o projeto. O resultado? As duas empresas decidiram suspender suas atividades em Austin.

Segundo Jacquei Meir, diretor de Conhecimento, Conteúdo e Comunicação do Grupo Padrão, a postura das empresas, ao tentar usar o poder econômico para convencer os cidadãos a votar ao seu favor, foi vista como uma enorme arrogância.

O resultado dessa saída foi o aparecimento de cerca de oito aplicativos regionais, que passaram a disputar o espaço deixado pelas multinacionais.

Alguns apps, como o Fare, surgiram apostando em uma estratégia de nicho, como mostrou reportagem do jornal Estado de S.Paulo.

Escolha seu motorista favorito, agende sua viagem, não perca seu voo

Publicada logo depois da saída das megaempresas, a matéria do Estadão mostrou que os pequenos aplicativos da cidade buscaram investir em um diferencial.

O aplicativo Fare permitia que o passageiro escolhesse seu motorista favorito e o Wingz, outro app local, era focado em viagens para aeroportos. Vale lembrar que 25% das corridas da Uber no mundo começam ou terminam em um aeroporto, por isso, não é estranho pensar nessa área como um nicho bem rentável.

Uma outra empresa que fez sucesso nesse período sem Uber em Austin, foi o Arcade City.

A reportagem contou que a empresa nasceu de ex-motoristas da Uber e tinha como base um grupo no Facebook, que na época contava com 37 mil participantes.

A estrutura da empresa era simples, os passageiros pediam carona e os motoristas entravam em contato com propostas de preço e “benefícios”.

Atualmente o Arcade está preparando o lançamento do seu novo aplicativo para 2020 e se apresenta como o próximo Uber.

De todo modo, naquele momento, Austin mostrava que era possível a descentralização dos aplicativos de transporte.

Mercado ficou embaralhado quando gigantes retornaram

Por volta de 2017, o estado do Texas realizou uma regulamentação dos apps de transporte.

Por ser uma regulamentação estadual, ela se sobrepôs à regulamentação de Austin, derrubando as restrições que fizeram com que as gigantes saíssem da cidade. Dessa forma, Uber e Lyft decidiram retomar suas atividades na capital texana.

Uma matéria do blog norte-americano Curbed, publicada na época do retorno das empresas, mostrou que a volta de Uber e Lyft ocorreu de forma repentina e impactou na quantidade de corridas dos apps locais.

Um desses apps é o Ride Austin. Ele se apresenta como uma organização sem fins lucrativos formada por motoristas, e que tem como objetivo dar ganhos maiores para os profissionais.

Com o retorno das multinacionais, eles tiveram uma queda de 55% das corridas em sua primeira semana. Já o Prenda, outro app local, teve queda de 16%.

Tudo isso se deve à forma agressiva com que as multinacionais retornaram, oferecendo descontos matadores aos passageiros.

O mercado é grande, mas é necessário mobilizar a população para o sucesso dos apps locais

O caso de Austin mostra claramente que, para um aplicativo local ter sucesso, motoristas e passageiros precisam vestir a camisa do projeto.

Uber e Lyft, ao deixarem a população órfã de um serviço de transporte, abriram espaço para várias pequenas empresas.

No entanto, ao retornar para a cidade, conseguiram pegar muitos daqueles clientes. Isso porque realizaram uma campanha agressiva nesse retorno.

Dessa forma, é importante que os apps regionais construam uma base forte de clientes, oferecendo benefícios contínuos para os passageiros. Com uma base grande de passageiros, fica mais fácil atrair motoristas.

Por isso, o caso de Austin deve ser analisado e estudado com muita atenção por aqueles que querem lançar seus apps locais.


A Machine é a principal tecnologia para criação de aplicativos de transporte e entregas do Brasil. Juntos, os apps desenvolvidos com nossa tecnologia já tiveram mais de 130 milhões de solicitações.