Início » Apps de transporte regional: mobilidade onde a Uber não chega

Apps de transporte regional: mobilidade onde a Uber não chega

Apps de transporte regional: mobilidade onde a Uber não chega

Apesar da presença em todos os estados brasileiros, o serviço da Uber ainda é falho no interior e nas periferias das cidades.

Segundo o último levantamento da Uber, a empresa está presente em mais de 100 cidades brasileiras.

Nas cidades em que está presente, a maior parte das solicitações de corrida são feitas no centro das cidades e bairros próximos a ele – o chamado centro expandido.

De acordo com a própria empresa, no ano de 2017 a periferia começou a impulsionar indiretamente o crescimento do serviço nas metrópoles.

Em entrevista para a Folha de S. Paulo, o gerente-geral da Uber para São Paulo e Região Sul, Fabio Plein disse:

Quem está no centro normalmente tem mais opções de transporte público, como ônibus e metrô em algumas capitais, mas quem está fora da região central nem sempre tem tantas alternativas. Os aplicativos, como o da Uber, acabam sendo complementares ao transporte público, levando uma opção de mobilidade às regiões menos assistidas.

Últimas milhas

Quando fala do complemento ao transporte público, Plein se refere as chamadas “primeiras ou últimas milhas”, ou seja, viagens que começam ou terminam em estações de ônibus, trem ou metrô.

A Pesquisa Origem e Destino mostrou que a maior parte das viagens de São Paulo – a cidade que mais faz corridas pela Uber no mundo – são feitas nesse esquema de “integração“.

A Uber apontou, ainda, que de 2016 para 2017 o número de viagens para fora dos centros expandidos e para periferias cresceu muito. Em Fortaleza e Porto Alegre, por exemplo, o crescimento foi de 12x.

Em outra entrevista para a Folha de S. Paulo, a diretora de parcerias da Uber no Brasil, Tiana Jankovic, disse:

A Uber deveria ser [um serviço] tão conveniente para as pessoas como é a água encanada em casa. Independente da sua situação financeira, do local onde você mora ou do cartão de crédito.

Exclusão digital

Apesar da ideia ser ótima e funcionar em algumas regiões, em outras partes do país é um pouco diferente. Cidades periféricas ou do interior sofrem com a mobilidade urbana no geral.

Seja pela ineficiência ou falta de transporte público e do serviço do aplicativo.

Falando apenas da Uber, nas cidades pequenas o serviço não chega, teoricamente, por falta de demanda.

Já nas outras, a empresa justifica que o motorista “pode impedir solicitações de viagens de áreas com desafios de segurança pública em alguns dias e horários específicos”.

O Rio de Janeiro, por exemplo, é a cidade com maior população em favelas do Brasil. De acordo com o último Censo, mais de 1 milhão de cariocas estão distribuídos nas 763 favelas do estado. Isso representa 22% da população do Rio. Já o interior do estado concentra cerca de 4,15 milhões de pessoas.

Com isso, em média 5 milhões de moradores do estado do Rio de Janeiro sofrem com a ineficiência do transporte público e não tem a mesma praticidade que os moradores da capital na hora de solicitar uma viagem por aplicativo.

Em artigo para o Estado de S. Paulo, a diretora-executiva da Artemisia Maure Pessanha destacou:

O direito à cidade e ao exercício da cidadania estão intrinsecamente ligados à mobilidade. E o que os negócios de impacto social têm a ver com isso? A minha visão é que uma nova geração de empreendedores e empreendedoras pode contribuir para uma cidade mais democrática, que traga o foco no cidadão para o centro, com suas reais necessidades.

Maure Pessanha

Observando esse cenário se repetir por todo país, diversos empresários resolveram democratizar a mobilidade urbana, criando seus próprios apps de transporte regional.

Apps de transporte regional

Ir e vir é um direito garantido por lei. Assim, o acesso à mobilidade precisa ser inclusivo e democrático.

Além disso, a mobilidade urbana eficiente aumenta a qualidade de vida dos moradores. Isso sem falar na integração com estabelecimentos e geração de empregos, o que movimenta a economia regional no geral.

Foi para atender à essas necessidades de milhões de brasileiros e contribuir para o desenvolvimento das cidades que os apps de transporte regional surgiram.

Um exemplo de app regional do interior é o Chame Car, de São Paulo.

Criado em setembro de 2018, o aplicativo se orgulha em valorizar tanto o passageiro quanto o motorista.

Você precisa oferecer preços baixos para os passageiros e um custo menor para os motoristas. Na Chame Car, o motorista não paga por corrida, mas sim uma mensalidade. Assim, se ele faz 5 mil reais em um mês, ele só precisa pagar 200 reais de mensalidade e pronto, o resto é dele.

Cláudio José, gestor da Chame Car

O aplicativo conta hoje com quatro funcionários para tocar uma central de atendimento 24 horas. “A expectativa agora é crescer e focar na criação de novas filiais”.

Como criar um app de transporte regional?

Existem algumas formas para criar apps de transporte regional como o Chame Car.

Segundo os desenvolvedores de aplicativos da Tech Magic, republicado pela Use Mobile, criar um aplicativo como Uber leva em média 5.000 horas de trabalho. A Use Mobile conta que um desenvolvedor de apps cobra por hora de 20 a 150 dólares. 

Vamos usar como exemplo o desenvolvedor mais barato. O custo da produção do seu aplicativo seria de 200 mil dólares!

Não devemos esquecer que caso você queira fazer um aplicativo com um programador, ainda irá precisar arcar com os custos de manutenção e toda parte tecnológica. Por isso, muitas empresários contratam a Driver Machine.

A ferramenta permite criar um app de transporte personalizado com seu nome, marca e configurar taxas e formas de trabalhar.