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Alunos realizam pesquisa sobre transporte por app em SP

Alunos da FATEC realizam pesquisa sobre transporte por aplicativo na cidade de SP

Alunos do curso de logística da Faculdade de Tecnologia de São Paulo pesquisam o cenário do transporte por aplicativo na capital paulista.

A cidade de São Paulo é um dos maiores mercados para empresas de aplicativos de transporte em todo o mundo.

Junto a Londres, Nova Iorque, São Francisco e Los Angeles, a terra da garoa é uma das responsáveis por 25% dos ganhos da empresa com transporte no mundo.

Assim, os estudantes do curso de logística da Faculdade de Tecnologia da Zonal Leste de São Paulo, Gabriel Kuestra, Alexandro Alves e Douglas Barros, decidiram se debruçar sobre o tema e entender melhor o funcionamento desse mercado na cidade.

O resultado foi o artigo “Cenário do transporte por aplicativo na cidade de São Paulo“, apresentado no X FATECLOG, evento realizado anualmente pela faculdade.

Alexandro conta que a ideia da pesquisa surgiu da professora Eliacy Lelis, responsável pelas aulas de mobilidade urbana do curso.

Além de professora na FATEC, Eliacy é pesquisadora e pós doutoranda em tecnologias e inteligência digital aplicadas na mobilidade urbana. Segundo ela, a influência dos apps no transporte se desdobra em vários segmentos e de forma bem diferenciada. “Tem muitos impactos de apps de transporte na mobilidade urbana. A natureza, intensidade e amplitude desses impactos depende da função, público-alvo e da região onde esse app vai atuar”.

Alexandro explica que o trabalho focou no ponto de vista do passageiro, mostrando como ele se relaciona com os aplicativos de transporte na cidade. “A ideia era entender a influência de cada aplicativo na mobilidade urbana de São Paulo”.

Disponibilidade é a principal demanda dos passageiros

Segundo Alexandro, a grande demanda por veículos na cidade de São Paulo, exige que os aplicativos tenham sempre carros disponíveis, pois essa é a principal exigência do usuário. “Nesse quesito, a Uber é a que atendeu melhor todos os grupos pesquisados”.

Além disso, o pesquisador lembra que há muitas regiões na cidade onde alguns aplicativos não chegam. “A Cabify e a Easy, por exemplo, só atendem a região central da Zona Leste e a periferia fica sem acesso aos apps, devido a periculosidade, já Uber e 99 conseguem ter uma abrangência maior”.

Já para Gabriel, o principal ponto da pesquisa é a frequência de uso dos passageiros. “Cerca de 75% dos entrevistados responderam que usam ocasionalmente. Isso é interessante, porque a gente percebe que apesar de muitas pessoas pedirem transporte por aplicativo, elas pedem poucas vezes”.

Para Alexandro esse pouco uso ainda diz respeito a questões financeiras. “Atualmente nem todo mundo tem condição para pegar um transporte com esse conforto (…) mas acredito que futuramente com essa ‘guerra’ de aplicativos a tendência é popularizar ainda mais”.

Ponto de encontro e integração com transporte público são desafios dos aplicativos

Segundo os pesquisadores, o encontro entre passageiros e motoristas é um problema que os apps precisam resolver, pois há muita dificuldade nesse momento.

Para eles, uma solução seria a instalação de um ponto físico de encontro, como existe com os táxis e nos próprios apps em alguns aeroportos – o Uber Lounge é um exemplo. Os pesquisadores apontam que essa dificuldade gera insegurança para passageiros e complicações para motoristas que acabam, inclusive, infringindo regras de trânsito e atrapalhando o fluxo.

Segundo Gabriel, a iniciativa pode partir dos próprios shoppings e centros comerciais, instalando pontos fixos para o atendimento dos aplicativos. “Acho importante os locais pensarem nisso, pois você estará ajudando seu cliente”.

Já em relação a integração com o transporte público, Gabriel aponta que pode haver mais incentivo à prática. A pesquisa Origem e Destino de 2017, realizada pelo metrô de São Paulo, aponta que muitas pessoas usam os aplicativos na chamada “última milha da viagem”. Ou seja, de casa para a estações de metrô, trem e ônibus ou vice-versa.

Assim, os pesquisadores apontam que poderia haver mais incentivo nessa integração. “A pessoa estaciona o carro no metrô e ganha um ticket (…) isso pode ser usado nos aplicativos também, por meio de uma parceria entre as empresas e o transporte público”, disse Gabriel.

Para Alexandro, deve haver também uma integração na forma de pagamento do transporte público e dos apps. “Em São Paulo temos o Bilhete Único e você poderia pagar os aplicativos com ele, integrando o transporte público com os apps, inclusive facilitando o acesso às estações”. Para eles, os aplicativos servem como suporte aos serviços públicos.

Serviço compartilhado é o futuro do mercado

Os pesquisadores entendem que a procura por fonte de renda, fez com que houvesse muita gente colocando o carro na rua para ser motorista, o que congestionou ainda mais a cidade.

No entanto, eles apontam que o caminho do transporte por aplicativo é que haja cada vez mais incentivo para o serviço compartilhado, tanto por uma questão econômica quanto ambiental. Para Gabriel, os aplicativos já estão consolidados, mas passarão por algumas mudanças para poder atingir todos os públicos.

“Ainda não é tão utilizado dessa forma, mas já temos Uber compartilhado (Juntos) e é muito melhor quatro pessoas no mesmo carro do que cada uma em um, melhor para o meio ambiente e para o bolso”.